Está confirmado que a doença de Crohn[1] é quatro
vezes mais predominante nas pessoas com psoríase. As duas condições são por vezes tratadas com os mesmos fármacos. Os alfa anti-TNF[2] foram primeiro prescritos para a doença de Crohn, sendo agora utilizados para tratar as formas graves de psoríase.
No que diz respeito aos problemas metabólicos, a taxa de diabetes é elevada nas pessoas com psoríase. O excesso de peso pode agravar a psoríase e os distúrbios lipídicos são mais comuns nas pessoas com psoríase.
Relativamente ao aparelho digestivo, a síndrome do intestino irritado parece ser mais comum nas pessoas com psoríase.
Verifica-se também que a psoríase pustular está normalmente ligada a problemas do metabolismo do cálcio (hipocalcémia[3]) e que as pessoas com psoríase pustular palmo-plantar têm frequentemente distúrbios da tiróide.
Problemas psicológicos
Como acontece com todas as condições crónicas, a psoríase tem efeitos na vida social, emocional e profissional de alguns doentes.
Apesar de não ser uma condição letal, a visibilidade da psoríase frequentemente origina uma diminuição da auto-estima.
Muitas pessoas que sofrem de psoríase levam uma vida normal no trabalho, com os companheiros, com a família, etc., mas outras afirmam que preferiam ter um "distúrbio mais grave, mas invisível, em vez da psoríase".
Algumas investigações têm demonstrado que os doentes com psoríase sofrem frequentemente de ansiedade e/ou depressão acompanhadas de ideias suicidas.
A psoríase tem de facto um maior impacto na depressão e nas ideias suicidas do que as doenças crónicas mais graves que são potencialmente letais. Os sentimentos de desencorajamento e o risco de depressão aumentam quando a psoríase está presente há muito tempo.
Sofrer de psoríase desde a infância ou adolescência não é algo com que se lide facilmente. Devido aos constrangimentos no estilo de vida de um doente impostos pela terapia, pela falta de auto-confiança e pelas dificuldades nas relações que são inerentes à psoríase, algumas pessoas colocam um escudo para se protegerem a nível emocional. Recusam-se a demonstrar os seus sentimentos e evitam as relações interpessoais.
A psoríase é conhecida por causar comichão em muitos casos, existindo uma correlação entre o nível de depressão e a intensidade do prurido. Os doentes que sentem uma maior depressão estão muitas vezes sujeitos a uma comichão mais violenta.
O tratamento psicotrópico (envolvendo antidepressivos e ansiolíticos) pode ser útil nos casos de depressão ou ansiedade intensa.
Apesar da psoríase poder originar ansiedade e depressão, os dermatologistas e psiquiatras não devem subestimar as dificuldades psicológicas que são anteriores ao aparecimento da psoríase. Pode ser difícil perceber se a depressão e a ansiedade já estavam presentes antes, ou se são resultado da condição.
As pessoas com psoríase que desenvolvem uma doença neurodegenerativa, como a doença de Alzheimer[4], têm frequentemente a impressão que as suas lesões desaparecem.
Esta dermatose raramente é associada ao eczema; de facto as duas condições parecem ser mutuamente exclusivas. Apesar disto, a psoríase, por vezes, desaparece apenas para ser secundada por eczema, ou os doentes podem desenvolver psoríase eczematosa, normalmente devido a um fármaco pouco tolerado.
O fenómeno de Koebner é talvez um dos fenómenos mais conhecidos em dermatologia. Foi descrito pela primeira vez em 1872 por Heinrich Koebner, um conhecido dermatologista do século XIX.
O termo é usado para descrever a resposta através da qual surgem novas lesões, desenvolvendo-se em doentes que sofriam de condições cutâneas na pele saudável que foi submetida a um trauma. Um trauma numa área de pele "normal" num doente com psoríase pode, então, originar novas lesões que são idênticas às causadas pela doença.
O fenómeno de Koebner é comum na psoríase?
O fenómeno de Koebner está associado a várias doenças dermatológicas, e muito usualmente à psoríase e vitiligo
[5]. As pessoas com psoríase estão por isso particularmente vulneráveis.
Deve realçar-se que os traumas locais não desencadeiam necessariamente esta resposta. O fenómeno de Koebner surge normalmente entre dez e catorze dias após o trauma na pele, mas pode aparecer vários anos depois. Outras características são o não afectar uma área em particular, o surgir com maior frequência no inverno e afectar especialmente as crianças.
As hastes dos óculos podem causar uma resposta de Koebner por trás das orelhas. O limar ou a manicura das unhas pode exacerbar a psoríase das unhas. Num caso conhecido, a fricção de uma raquete de ténis originou um fenómeno de Koebner na palma da mão de um jogador de ténis. Quando uma pessoa tem artrite psoriásica, até mesmo a fricção de uma aliança pode originar lesões psoriásicas que surgem apenas no dedo anelar.
No caso da psoríase palmo-plantar, as lesões devidas a este fenómeno podem estar concentradas nas áreas de pressão, não estando presentes na curvatura do pé. As queimaduras solares também podem originar psoríase muito disseminada no corpo, denominada fenómeno fotográfico de Koebner.
Os médicos falam por vezes de um fenómeno de Koebner invertido, quando uma placa psoriásica tem uma remissão após um trauma, podendo também ocorrer depois de se contrair rubéola
[6], constipação, faringite
[7] ou depois de se ter sido submetido a uma operação.
Apesar das ocorrências externas do fenómeno de Koebner serem bastante conhecidas, podem também ser invisíveis e localizadas num nervo perto do local de uma erupção. Por exemplo, uma fractura do pulso ou artrose isolada podem originar lesões psoriásicas nas unhas. A isto denomina-se fenómeno de Koebner profundo, que é um fenómeno raro que não deve ser ignorado.
Deve-se evitar perturbar as escamas e coçar as placas e, sempre que possível, tentar evitar a fricção e os pequenos traumas. Deve-se tomar as devidas precauções quando se penteia ou escova o cabelo e quando se desfaz a barba. As unhas devem ser mantidas curtas, evitando-se a utilização da lima. Deve-se limitar a exposição ao sol, usar protector solar e produtos hipoalergénicos para evitar qualquer irritação, os quais devem ser aplicados com cuidado.
Se o médico diagnosticar um fenómeno de Koebner, devem ser evitados quaisquer irritantes químicos ou físicos, tratamentos a laser e operações cirúrgicas. O tratamento deve ser prescrito o mais rapidamente possível para maximizar a sua eficácia.
As inflamações articulares apenas afectam uma pequena percentagem das pessoas com psoríase. As articulações dos dedos e pulsos são muitas vezes afectadas, mas as articulações maiores como as do tornozelo, também podem ser envolvidas.
As articulações afectadas incham e, após algum tempo, pode surgir psoríase na pele. A inflamação é essencialmente causada por um esforço nessa articulação com bastante regularidade.
Tal como a pele, os tecidos das articulações não consegue suportar um esforço muito grande. Existem diversas situações que podem originar inflamação articular, por exemplo:
* Os electricistas, os canalizadores e os condutores de autocarros sujeitam as articulações dos seus dedos a muito esforço, dia após dia;
* Os bancários podem sofrer de inflamação das articulações que usam para contar notas;
* As articulações dos dedos também podem sofrer com longos períodos de escrita, especialmente quando se agarrar a caneta com demasiada força ou se se se exercer demasiada pressão no papel;
* O uso constante das mesmas articulações também pode originar inflamação. Actividades como o ballet e o jogging podem danificar as articulações dos pés.
Uma maneira simples de verificar se uma articulação está inflamada é sentir se esta está quente. É importante descansar uma articulação inflamada; caso contrário, há o risco de magoar a membrana que reveste a cavidade articular.
As lesões podem mesmo estender-se aos ossos, resultando na deformação da articulação. Por exemplo, as articulações dos dedos podem ficar deformadas e tornarem a sua utilização difícil. A artrite desenvolve-se quando a articulação está inflamada e continua a ser sujeita a esforços, por isso é essencial descansar a articulação e procurar aconselhamento médico logo que os sintomas surjam.
O esforço sobre uma articulação afectada tem de ser limitado, por isso os doentes devem pensar no modo como usam as suas articulações.
O dever dos pacientes torna-se, então, alterar o modo com usam as suas mãos e pés, especialmente no trabalho.
As ajudas técnicas foram concebidas para aliviarem certos tipos de esforços. Existem muitas ferramentas que podem ajudar nos movimentos envolvidos nas actividades diárias e equipamento especializado para os locais de trabalho.
Em alguns casos, poderá ser relevante considerar a troca de profissão para uma que envolva menos esforço nas articulações.
Aconselha-se fortemente aos doentes a não transportarem cargas demasiado pesadas, o que exerce muita pressão nas articulações. Em vez disso, deve ser usado um carro de rodas.
É necessário um cuidado adicional durante a fase inicial da artrite para evitar deformações nas articulações.
[2] Sugestão: ver nota de rodapé nº21 (em 6.3.1.3.)
[4] Doença que conduz à morte de células cerebrais que primeiramente afecta a memória e, progressivamente, outras funções mentais, acabando por determinar a completa ausência de autonomia dos doentes
[5] Doença não contagiosa em que ocorre a perda da pigmentação natural da pele
[6] Doença causada pelo vírus da rubéola e transmitida por via respiratória. É geralmente benigna, e pode causar malformações no embrião em infecções de mulheres grávidas
[7] A faringite é provocada, na maioria dos casos, por uma infecção e, por isso, está dependente da chegada de microrganismos à mucosa faríngea. Normalmente a doença apenas se produz quando existe uma falha nos mecanismos defensivos os quais impedem, em condições normais, a proliferação de micróbios na garganta.